Terça-feira, 7 de fevereiro de 2006
A reinauguração do Teatro Coliseu Santista foi um acontecimento memorável para a História de Santos, no início deste Século 21. O histórico teatro foi inaugurado em 1909 e passou por várias fases, da glória à decadência e ao renascimento – ou melhor, restauração, que se arrastou não como novela, mas como aqueles filmes que têm a parte 1 em um ano, a parte 2 no período de dois ou três anos depois, a parte 3 e assim por diante...
A solenidade de reinauguração ocorreu na noite de 25 de janeiro de 2006, quinta-feira, com a presença do governador Geraldo Alckmin, do Estado de São Paulo, e do prefeito de Santos, João Paulo Tavares Papa, entre outras autoridades, artistas, empresários e convidados.
Estive em uma das visitas monitoradas ao novo Teatro Coliseu Santista, promovida pela Secult – Secretaria de Cultura de Santos, pela Prefeitura de Santos (www.santos.sp.gov.br)
e pelo Governo do Estado de São Paulo (www.saopaulo.sp.gov.br). Participei da visita das 15 horas de 5 de fevereiro de 2006.
Estava uma tarde de domingo ensolarado e bastante quente. Antes das 15 horas, algumas pessoas, menos de 20, se aglomeravam na frente da porta de entrada do Coliseu, na esquina das Ruas Amador Bueno e Brás Cubas e em frente à Praça José Bonifácio.
A porta foi aberta apenas às 15 horas. Havia guardas de segurança para controlar o ingresso de pessoas. Uma fita de isolamento – como as que existem em bancos – foi instalada na porta. Quando a visita efetivamente começou, a impressão que dava é de que havia cerca de 50 pessoas.
O saguão de espera, no térreo do Coliseu, é amplo, com espaço para as bilheterias. Uma guia, na escada de acesso às cadeiras superiores, fez um histórico do local, lembrando que, antes de ser teatro, o espaço chegou a abrigar um ginásio, nos idos de 1903. O teatro, efetivamente, surgiu apenas em 1909. E a construção definitiva – tal como a conhecemos hoje – aconteceu em 1924.
No saguão superior, houve apresentação musical. Ali também havia painéis com fotografias e textos que contam a história do Coliseu. Depois, os convidados da visita monitorada puderam se dirigir às cadeiras, em ambiente onde ocorreu nova exposição histórica.
A seguir, todos tiveram oportunidade de descer para as cadeiras do andar térreo, onde está o palco. Crianças do Corpo de Baile Infantil da Secult se exibiram, encantando a platéia.
A restauração do Coliseu foi realmente uma obra de arte. Recuperou pinturas, tanto nas paredes, quanto no teto do edifício. Recuperou detalhes de decoração que deixaram o teatro com o glamour de 1924.
A última exibição no Coliseu, antes da desativação, ocorreu em 1984, com a apresentação da Ópera do Malandro, de Chico Buarque.
As Minhas Memórias do Coliseu
Não me lembro de ter visto filme no Cine Teatro Coliseu. Além de peças teatrais, o Coliseu exibia filmes. Se bem me lembro, na fase de decadência, chegou a passar filmes pornográficos.
Um episódio que vivenciei e me marcou bastante em relação ao Coliseu foi nos idos de 1977 a 1979. Não recordo com exatidão ano. O que tenho certeza é que o episódio aconteceu na época em que eu estudava Jornalismo na Facos – Faculdade Comunicação de Santos, da então mantenedora Sociedade Visconde de São Leopoldo. Anos mais tarde é que a São Leopoldo conquistaria o status de universidade, com a UniSantos – Universidade Católica de Santos (www.unisantos.br).
Em relação ao episódio no Coliseu, lembro que, em uma noite, seria exibida uma peça teatral que tinha a atriz Ruth Escobar no elenco.
Recordo que a PF – Polícia Federal proibiu a exibição, porque faltava um detalhe burocrático (faz tanto tempo, que esqueci exatamente qual), e alegou que o programa não poderia ser cumprido.
Lembro que estudantes universitários, inclusive da Facos, permaneceram no local durante várias horas, à espera de uma solução.
Até o então deputado federal Eduardo Matarazzo Suplicy, militante do ainda MDB (que a partir de 1979 foi obrigado a incluir o P de Partido na sigla, transformando-se em PMDB), interferiu, mas sem obter sucesso. Foi, porém, marcante a presença, a solidariedade e a firmeza de Suplicy, no sentido de fazer gestões para a liberação da peça.
Outra memória sobre o Coliseu que me vem à tona é do início dos Anos 90 do Século 90. Pepe, um gráfico que atuou durante anos no jornal A Tribuna, de Santos, manteve uma gráfica de pequeno porte nas instalações do teatro, que já não mais exibia filmes nem peças. Ele não ficou muito tempo, talvez um ou dois anos, no local. Até fiz pedido de cartão de visita – ou de outro serviço gráfico, não me recordo com exatidão.
Durante os 15 anos em que trabalhei no jornal A Tribuna, de Santos (www.atribuna.com.br), de setembro de 1987 a março de 2003, o Coliseu sempre foi passagem, quando ia trabalhar, saindo de casa, na Vila Belmiro, até o Centro Histórico.
Convite da visita monitorada
Para comemorar a reinauguração do Coliseu, a Prefeitura de Santos realizou um programa de visitas monitoradas nos dias 28 e 29 de janeiro e 5 de fevereiro de 2006, no período das 10 às 12 e das 15 às 17 horas. Cada grupo entrava no teatro de meia em meia hora.
Alternadamente, a cada visita havia apresentações da Banda Musical Carlos Gomes, do Quarteto de Cordas Martins Fontes, do Coral Municipal de Santos, do Corpo de Baile Infantil da Secult e dos Grupos de Choro 5 Companheiros, Toledo e Regional.
O convite é assinado pelo prefeito João Paulo Tavares Papa e pelo secretário de Cultura de Santos, Carlos Pinto.
A frente do convite mostra o saguão superior, com as portas e janelas abertas, permitindo iluminação adequada para fotografia. No verso estão as informações da visita monitorada. O convite mede 12 x 17 centímetros.
Ficha técnica da exposição
A exposição no saguão superior do Coliseu apresenta os seguintes dados:
Realização: Prefeitura de Santos
Pesquisa: Fundação Arquivo e Memória de Santos (www.fundasantos.org.br)
Acervos: Hemeroteca Roldão Mendes Rosa Fundação Arquivo e Memória de Santos
Equipe de Produção
Edição e Textos: João Batista Mendes Neto
Programação Visual: Stefan Lambauer
Comunicação Visual: Débora Feijó
Pesquisa: Paulo Gonzalez Monteiro
Desenhos: Silmar Paulo
Digitalização: Lara Lobo
Fotografias:
Antônio Vargas
Cândido Gonzalez
Ernesto Papa
Francisco Arrais
Francisco Rúbio
José Herrera
Marcelo Saitta
Rogério Bomfim
Rubens Onofre
Governo do Estado de São Paulo
Prefeitura Municipal de Santos
Construtora Akyo
A propósito: O painel da exposição indica a Construtora Akio. O certo é Akyo. E a Construtora Akyo nada tem a ver comigo, apesar da semelhança entre os nomes. Aliás, nem conheço o pessoal da construtora.
As 7 Maravilhas da Arquitetura Histórica de Santos
Para que o leitor entenda o título deste blog, fiz uma escolha pessoal – totalmente pessoal – das 7 Maravilhas da Arquitetura Histórica de Santos, entre o Coliseu:
- Paço Municipal (Prefeitura)
- Bolsa do Café
- Alfândega
- Teatro Coliseu
- Casa de José Bonifácio
- Mesa de Renda
- Associação Comercial de Santos
Em um estudo ou pesquisa mais aprofundada, poderei reformular a lista. Mas neste momento esta é a minha relação.
Por ora é isso.
Abraços
Armando Akio




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